Sexta-feira, 27 de Outubro de 2017

O quê que realmente importa?

Até que ponto a religião realmente importa em relações? Porquê que a religião importa tanto quando não há fanatismo nem visão túnel? Porquê que tem de ser tudo tão difícil? Porquê que uma pessoa não pode ser apenas isso, uma pessoa, seja ela de religião x, y ou z ou seja branca, amarela ou preta? O quê que realmente importa? Não compreendo porquê que para tudo tem de haver um "mas" ou um "e se". Gosto de quem gosto e se aquela pessoa for, a meu ver, uma boa pessoa, é isso que  é realmente importante para mim.

with love, hope às 22:48
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Sábado, 16 de Setembro de 2017

Vou ser enfermeira, porquê?

(escrevi este texto no meu outro blog e decidi publicar aqui também)

No presente, sou aluna de enfermagem de 4º ano. E já vi tanto. Senti tanto.

Não consigo descrever a profunda tristeza que sinto ao ler comentários da opinião pública. Da falta de informação, de empatia, reconhecimento, valorização. Magoa, magoa muito.

Na minha curta experiência como quase-enfermeira já vi um pouco de tudo. Não sou forte, nem rija como deveria de ser, muitas vezes tenho vontade de chorar e muitas vezes vou para a casa de banho e choro até passar-me a dor na alma.

Tinha 19 anos quando ajudei o meu primeiro doente a morrer, quando agarrei-lhe na mão e ouvi-lhe o último suspiro, chorei no caminho para casa. Com a mesma idade, cuidei de uma pessoa já morta, fiquei tão impressionada que não sabia se tinha vontade de chorar ou vomitar, fiz os dois.

Com 21 anos vi pela primeira vez um recém-nascido entre a vida e a morte. Estava no bloco operatório e vi um bebé a nascer, um momento que deveria de ser algo bonito e especial não o foi, o bebé saíu negro como a noite devido à falta de oxigénio e vi-me confrontada em controlar as lágrimas quando estava rodeada de médicos e enfermeiros. Vi um bebé a lutar pela vida, fiquei tão perturbada que disse nunca mais. Esse nunca mais já lá vai algum tempo e continuo aqui, não sei porquê, se é porque estou destinada a fazer isto ou se não tenho coragem de desistir.

Por vezes dúvido da minha escolha, dúvido se fiz bem em optar por esta profissão, muitas vezes acho que fiz a escolha certa, outras tantas pergunto-me o quê que tinha na cabeça. Tento sempre dar o meu melhor, ser feliz no que faço, mostrar aos meus doentes que tenho gosto de estar ali com eles, mas depois vem tudo ao de cima, as faltas de condições, o desrespeito, sobrecarga, esgotamentos, falta de valorização. Estamos estagnados há uma década. Somos os únicos licenciados que recebem 1000€ quanto que todos os outros é 1400€ porquê? Somos menos que alguém? Não somos tão importantes? Por mais que tente, não chego a conclusão alguma.

Gastamos milhares de euros dos nossos bolsos em formações, mestrados, doutoramentos, com o fim de sermos capazes de prestar cuidados cada vez melhores aos nossos doentes e somos criticados por querermos um ordenado melhor. Porquê?

Irmã e cunhado enfermeiros, namorado enfermeiro, eu a uma curva de ser enfermeira e vejo as nossas vidas mal-paradas.

Porquê que não nos apoiam? Não nos compreendem? Porquê? Não queremos ser mais do que ninguém, não queremos receber mais do que os médicos, não queremos uma guerra. Queremos os nossos direitos que nos foram tirados, será que é pedir muito?

Damos tanto e recebemos tão pouco em troca.

Porquê?

Vou ser enfermeira, porquê? Com o decorrer desta semana, já não sei.

with love, hope às 14:01
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Quarta-feira, 1 de Março de 2017

Medos.

Medos, medos que chegam e arrebatam, que criam um furacão de pensamentos e sentimentos, não há cérebro nem coração que aguente este tsunami que inunda todo o meu ser.

Tenho medo de tudo um pouco, eu que considero-me corajosa e destemida, tenho medo de tudo. Medo do futuro, medo de perder, de me perder, medo de estar a viver algo que não corresponde à realidade.

O coração fica pequenino e anseio por um abraço, aquele abraço que conheço tão bem e faz-me acreditar que tudo vai ficar bem, seja lá o que for esse tudo.

Gostava de não ter todos estes medos, mas a noite chega e com ela todas as dúvidas e inseguranças. Vou dormir e esperar que tudo passe e que a vida tome o seu próprio rumo.

Porque no fim, tudo fica bem.

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with love, hope às 21:23
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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2017

Quando falta tudo.

Tenho a caneta entre os dedos mas as palavras ficam-me presas, voam para bem longe e não as consigo apanhar. Sinto-me vazia de sentimentos, a capacidade de chorar também me foi retirada, estou seca, por dentro e por fora.

Sinto frio mas não estás cá para me aquecer, o corpo continua assim, frio e o coração também, esse já gelado.

Escapas-me por entre os dedos e voas para bem longe. Fecho os olhos e vejo-te, os meses passam por uma linha de tempo, breves memórias vividas, um dia esquecidas no tempo que carrego com peso no coração.

Tínhamos tudo e tudo acabou.

Já esqueci o sabor dos teus lábios e o calor das tuas mãos nas minhas.

Transbordo tristeza enquanto te vejo a ir embora.

O coração fica frio e pesado quando há amor mas falta tudo o resto.

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with love, hope às 21:45
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