Quarta-feira, 10 de Agosto de 2016

Um monstro e 48 horas de fogo.

Nunca senti tanta dificuldade em respirar, ou simplesmente existir. Nunca me senti tão suja, com tanto calor, tanto suor, com tanto medo. 

32 graus Celsius à noite. Dormir nem pensar, virar de um lado, virar do outro, sentir o suor a escorrer-me pelo corpo enquanto ouço o som do fogo a propagar-se e explosões, tantas explosões, tudo isto enquanto sei que há casas a arder e famílias desamparadas, animais perdidos, pessoas a morrer.

Levanto-me e vou à rua, sou abraçada por uma onda de calor que faz com que tenha uma sensação de desmaio, olho à minha volta e vejo fogo, o vento sopra e trás com ele cinzas, choro, por causa das cinzas, por causa de tudo, choro e nada posso fazer, tão impotente, tão inútil.

Sinto palpitações, tenho problemas de coração e a pessoa desesperada sobrepõe-se à enfermeira calma que há em mim. Não quero olhar, só quero dormir e esquecer que isto está acontecer, quão hipócrita.

Um monstro fez com que em 48h tudo ardesse, pessoas desalojadas e mortas, pessoas desesperadas, a chorar nas ruas, sem nada, carros em fuga em sentido contrário nas autoestradas, acidentes, tudo caótico, um campo de guerra. Porquê? Porquê? Não percebo.

Não sei quando é que isto irá acabar, mas tenho medo, medo de sair de casa e não estar segura, medo de olhar para este lugar que tanto adoro e não o reconhecer.

Continuo sem conseguir respirar bem, a sentir o suor a escorrer pelas costas, a ouvir choros alheios, casas a arder em plena baixa da cidade, continuo a olhar para as encostas secas que outrora foram verdes e cheias de vida.

A esperança está abalada, mas ainda está aqui, em todos nós, somos fortes, eu sei, e juntos vamos voltar, como sempre voltamos.

with love, hope às 11:57
link | comentar | favorito (1)
2 comentários:
De alaska collins a 10 de Agosto de 2016 às 21:54
já não me lembrava de um ano com tanta incêndios como este tem tido. Uma vez quando era pequena lembro-me que houve um ano para ai em 2002 que a fazer uma viagem para a minha terrinha de férias, ficámos chocados com a quantidade de incêndios que houve durante esse verão também.
É terrível ver tudo a arder.. por causa do calor, ou pior, por causa de pessoal mal intencionadas!
De Maria a 14 de Agosto de 2016 às 21:42
Não sei de que parte do país és mas tenho acompanhado através da televisão e dos jornais toda esta catástrofe e há incêndios por quase todo o país infelizmente. Apesar de nunca ter experienciado o mesmo, espero do fundo do coração que tu e a tua família estejam bem e em segurança.
Muita força neste momento tão difícil. Sinto-me realmente impotente, gostava mesmo de conseguir ajudar todos o que estão a passar pelo mesmo que tu. Há que ter fé e unirmo-nos para ajudar de qualquer forma quem está a passar por este pesadelo. Dá notícias tuas por favor, vou ficar à espera!

Em relação ao teu comentário:
Eu realmente sempre quis acreditar que a diferença de idades nunca nos ia separar (temos 6 anos de diferença: eu sou de 1995 e ele de 1989). As minhas amigas acham quase um escândalo, o que não consigo entender. Ele está numa fase em que trabalha e está a começar uma vida independente e eu apesar de ser trabalhadora, vivo com a minha mãe e ainda ando na faculdade. Deve ser essa a maior diferença entre nós. Isso e a forma de olharmos para certas coisas na vida mas nada de drástico.
Ele sempre me disse que achava que eu era bastante madura para a minha idade. Até que acabou comigo e utilizou a diferença de idades como um dos pretextos para tal. Disse que agora estava a sentir que isso interferia na nossa relação. Mas se queres que seja honesta, na minha opinião, quando duas pessoas estão dispostas a fazer com que resulte, a idade em nada interfere. Por isso é que não me senti mal quando ele me disse isto e por isso é que te digo para nunca olhares para esses 12 anos que vocês têm de diferença como algo mau e potenciador de vos separar. Eu sei que a maioria das pessoas me acha um pouco lírica por pensar assim mas eu conheci-o com 16 anos, sendo que ele tinha 22. E durou cinco anos. E apesar de ter acabado mal eu nunca me irei arrepender daquilo que eu vivi com ele porque os melhores momentos da minha vida foram com ele. E eu cometi as maiores loucuras por ele. Sofri sim, e depois? A vida é uma viagem tão curta. Se hesitarmos cada vez que tivermos dúvidas ou medo de sofrer podemos estar a perder o que de melhor há na vida. Por isso arrisca, porque se nunca arriscares tu nunca irás saber se podias ter sido feliz com ele.
Desculpa o testamento mas estou a torcer por vocês :)
Um beijinho *

Comentar post

hope © 2010 - 2017