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Caixa de Pandora

23 anos. Enfermeira, com palavras nas pontas dos dedos.

Caixa de Pandora

23 anos. Enfermeira, com palavras nas pontas dos dedos.

Mãos fechadas.

Agosto 18, 2019

Ser adulto não é fácil.

Olho para mim e vejo uma folha em branco, cansada, machucada e por mais que tente endireita-la fica sempre com rugas, bem visíveis, bem vincadas, dolorosas.

Vejo-me obrigada a reconstruir-me todos os dias, lutar por mais um dia em que irá deixar mais uma marca neste coração, corpo e alma frágeis. 

Dou um passo em frente e sinto duas, quatro, seis mãos a empurrarem-me para trás e volto ao mesmo, pegando em mim e nos meus restos e reconstruir tudo de novo.

Não sei se sou eu ou se é o mundo que está do avesso.

Leve

Agosto 18, 2019

Leve, solto, simples.

Olho-te e não consigo parar.

És um quadro que pinto com os meus dedos, pinto, escrevo, sinto e ressinto.

Sinto tudo aquilo que não consigo expressar por palavras, tudo aquilo que me arrebata sem um pré-aviso e me deixa zonza por momentos.

Continuo a pintar-te, a tocar-te e cravando-te na pele quente tudo aquilo que não consigo dizer.

És leve, solto, simples.

Dor.

Março 11, 2019

Com um cigarro entre os dedos penso em tudo o que tivemos e tudo o que perdemos.

Vejo o fumo a dissipar-se como tu na minha vida, breves momentos passados por uma linha ténue de tempo. Como tanto tempo pode resumir-se em tão pouco?

Fumo mais um pouco enquanto entre pensamentos confusos sinto o coração a partir-se em dois, uma dor emocional inexplicável que acaba por tornar-se física.

Deixo de respirar e sinto lágrimas a escorrerem-me pelo rosto. 

Olho para o mar à procura de respostas, não as encontro.

Irei sobreviver.

Fumo-te uma última vez.

Vida entre linhas

Janeiro 16, 2019

A vida voa, entre linhas, linhas finas, sinuosas, difíceis. 

A luz perdeu-se, mas sei que continua aqui bem dentro de mim à espera de renascer.

Quando o sol se põe e o som do mar embate na costa é quando sei que tudo ficará bem.

Apesar de o mundo parecer um pouco mais triste, mais desfocado, mais cinzento, há algo bom, algo bom e melhor à minha espera, eu sei, eu mereço.

Tenho todo o poder para fazer da minha vida aquilo que quero.

Entretanto continuo a sarar estas feridas do coração, pouco a pouco, dia a dia.

Pensamentos guardados em papel.

Novembro 28, 2018

Gostava que a vida fosse um pouco menos sombria, um pouco mais doce.

Doce como aqueles por-do-sol de verão que aquece a pele e a alma.

Doce como aquelas tardes de inverno aconchegada entre mantas e sem pensar em nada.

Doce como o abraço que recebo quando chego a casa ao fim do dia.

Fica então presente a esperança que dias melhores virão, dias em que a vida será mais simples, mais descomplicada, mais vivida.

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